Arquivo para Maio, 2008

Cuidando muito bem da vida (dos outros) .

Postado em reflexões, vida em Maio 9, 2008 por SENSATIONS

Enxames de falas, cochichos, fuxicos, risinhos, desprezos, superciliaridades, hombridades e as mais encenações típicas da mais desenfreada fofoca. Nenhum ‘peixe’ escapa da rede dos especuladores, nada é irrelevante, ocasional, ingênuo ou coincidência e se, por um acaso for, logo, logo a língua afiada dos mesmos passarão a frente ‘os fatos’ cheios de insinuações, apelos, modificações, ambições secretas( mas nem tanto), hipocresia e inveja.

A fofoca tornou-se uma grande ‘organização’ com inúmeros elementos de ‘negociata’ nas quais existem pessoas que ‘empregam-se’ e arregaçam as mangas em meio a tanta ostentação, despeito, vaidade, inveja ,vingança e ressentimentos. A vida dos outros vira o centro da própria vida, a língua não para, a mente arquiva informações e os olhos sempre atentos…

O homem —-em conjunto—- continua mesmo muito ignorante, criança, audacioso e muito louco. O que podemos saber a respeito do que ‘realmente’ acontece na vida dos outros? E se temos ‘alguma idéia’ quem está apto para avaliar se está certo ou errado, você?

Nessa onda de tanto ti, ti ti.Tanta confusão, os mais críticos, os mais ‘corretos’, analisadores e Fi fis de plantão estão mais perdidos do que qualquer um, não têm mais noção de si mesmo de tanto falar, julgar e criticar a vida dos outros, perderam o senso ( do ridículo ) e a capacidade de enxergar seus próprios atos. Analisando toda essa eficiência que temos pra cuidar da vida dos outros, explica-se muitas das vezes o porque estamos todos indo pro ‘brejo’ como vacas estúpidas, que cada vez mais ‘lambem’ as fofocas e as tomam como leite no café da manhã (almoço, jantar e principalmente no ‘chá das cinco’). Todos preocupados com a minha, a sua, a nossa, mas ninguém quer se importar ‘apenas’ com a ‘vossa’ vida. Será por quê?

Porque os homens—-em conjunto—- ainda que sejam eficientes, ótimos e sensacionais são negligentes e tal qual estúpidos apegados aos seus hábitos fofoqueiros. Todos.

(Inclusive você, não tire o corpo fora não ) .

Jowanna Heylayne

 

Tão sonhada paz…

Postado em Sem-categoria em Maio 6, 2008 por SENSATIONS
A vida corre normal, parece até mais leve.
Um apaziguamento, reinicio de vida. Tudo fica mais doce, gosto de felicidade. Tudo dentro de um livro de desenhos pra colorir e agora essas cores me deixam radiantes. A tão sonhada paz que eu não sentia a muito tempo, chegou. E, eu finalmente dormi sem precisar dar detalhes dos meus passos, ou dizer a cor até do meu pijama. É mais fácil viver longe de sensações obsessivamente intensas, viver longe das asas que deixam de te proteger para sobrevoar teu sossego. É aconchegante se apaixonar, e entregar o coração para alguém que sabe cuidar de um sentimento puro, verdadeiro e bem maduro.
;***

Aos poucos eu fui lavando o cérebro das lembranças e deixando os restos da limpeza escorrerem no meu coração, fui trabalhando meu corpo para esvaziar todas as pistas dessa história. Amadureci demais quando resolvi fazer essa ‘faxina’, mas posso viver sem medo porque descobri que não morro. Ou melhor, morri sim, mas essa morte me retornou a vida. A vida quente e confortável do chão firme e certo. De um amor maduro que me invadiu e foi calando neurônio por neurônio, silenciou grito por grito da minha angústia. O quente de um relacionamento conquistado e sólido me trouxe a tão desejada paz que aquece meu coração e não perturba minha mente.

Uma paz que causa cócegas no meu estômago, me enche de desejo e felicidade quando eu sinto meu corpo perto desse batimento cardíaco que pulsa dizendo que esse amor eu posso continuar a viver, sem medos, sem censura e de verdade!

 

 

Outra menina bela, no caso Isabella.

Postado em reflexões com as tags , em Maio 2, 2008 por SENSATIONS

Todas as manhãs quando acordo e ligo a tv está lá, abro os jornais está lá, capas de revistas e internet e o caso está lá, Isabella. Não preciso nem dizer seu sobrenome para que saibam de quem eu estou falando. O fato é que a tragédia que tirou a vida de uma criança de cinco anos tornou-se o caso mais famoso e explorado de todos os tempos. Exposto aos olhos da mídia 24 horas por dia, tomou proporções grandiosas e por consequência tornou-se parte do cotidiano dos milhares de brasileiros que acompanham, comovem-se, se revoltam e esperam que a justiça seja feita . Outros, no entanto confundem sensações, refletindo uma asquerosa realidade deste século. Curiosidade e ‘exploração do caso’, muitos se mostram mais interessados com a repercursão do que com a resolução do caso, em ‘matar a curiosidade’, em aproveitar o batalhão de fotográfos , camêras que estão bem aí e porque não divulgar algo, vender ou se mostrar?A mídia nos relata cada fato, passo e ato de tudo e todos que estão envolvidos com o caso. Corriqueiras imagens das delegacias, do sobrado laranja, do vectra cinza, o apto de guarulhos e o tão ‘comentado’ edifício Londonnn…

Cada sorriso meigo de Isabella estampando  efusivamente os noticiários, jornais,  programas e afins. Todos os detalhes da vida dessa criança foram expostas. Eu participo da comoção que o caso nos trouxe, e compartilho da opinião de tantos outros que o caso é triste e assustador apesar de, saber que a cada dez horas uma criança é assassinada no Brasil o que é mais assustador e triste ainda . Este caso foi ‘monstruoso’ sim, e inevitável seria não sentir a da dor, pela perda dessa doce menina .

Mas, além dos ‘curiosos’ , grande parte da mídia concentra-se maciçamente em explorar  o caso, ao ponto de programas ‘dedicarem’ horas simulando atos com bonecas, discutindo fatos de forma inconveniente e sensasionalizando uma tragédia delicada com o intuito de elevar os ‘picos da audiência’, sem se quer, lembrar que talvez do outro lado da tela possam estar familiares da criança, com a dor em ‘carne viva ainda’,e é com carinho que me vem a mente o nome da mãe, Ana Carolina Oliveira, que desde o acontecido e devido a constante exploração por notícias, fotos, e momentos exclusivos não pode se quer assistir uma missa para a paz, em Paz ! Doeu meu coração, quando vi aquele choro, devido ao extremo no qual o ‘jornalismo’ chegou, no último massacre que fizeram com ela, onde mesmo diante do momento em que a saudade sufocava, portou-se como sempre, com a mídia com delicadeza e extrema educação, pediu que a deixassem ir ao túmulo da filha em paz … Mas é claro que não atenderam com a mesma delicadeza e educação á solicitação, os ‘profissionais’ estavam todos lá, aglomerando, tumultuando a missa de um mês da criança, ‘registrando o momento’ e elevando mais uam vez a audiência dos programas’ transmitindo as lágrimas, e os soluços do choro de uma simples mãe que não pôde passar , se quer, cinco minutos á sós e em paz no túmulo da própria filha …

A conclusão disso tudo é simples: estamos todos doentes.

Todos que usamos a dor alheia como novela, todos que proporcionam audiência pra essa exploração ‘ao vivo’. Vale ressaltar, é claro que como toda regra há exceção, existem os profissionais de fato, que fazem seu trabalho da forma mais íntegra e cautelosa possível , usando a mídia como serviço de informação, e até como uma certa pressão para que o caso não seja esquecido e se torne impune.

Não sei porque estou escrevendo tudo isso, contradizendo todo o texto escrito até agora. Talvez, esteja me sentindo culpada e admitindo fazer parte, com vergonha , dessa população patológica. Mas, talvez, também pra exercer o dever que minha consciência me impõe dizendo que já chega não é? A polícia, os delegados, peritos e promotores vêm fazendo o seu trabalho com toda uma estrutura e salário  para resolver isso. Eles tem o dever de acompanhar, minunciar e simular os fatos, além de solucionar, é claro. Não somos nós.

O que eu gostaria de ver nos próximos dias, talvez seja apenas uma ilusão, tendo em vista que toda essa exploração do caso está tendo um ‘retorno’ compensador pra quem a faz. Mas, me vem a mente mais uma vez, o nome de Ana Carolina Oliveira que vai ser a cada ‘capítulo sensasionalizado do caso’ lembrada que não poderá ter o retorno do que realmente gostaria, e ainda assim no meio de toda essa sujeira, mantêm-se de forma íntegra, num silêncio que grita por justiça,  valorizando cautelosamente suas palavras. Não permite que seu eterno amor, Isabella, torne-se motivo apenas de tristeza ou dor.

Fica aqui registrado então, meu pedido á Deus que te abençõe Ana Carolina Oliveira, e que faça ‘hora extra’ com você, te dando forças nos momentos que a saudade apertar.

E fica aqui resgistrado também admiração por uma outra ‘menina bela’ , além da princesa Isabella, Ana Carolina Oliveira que diante dessa sujeira toda, manteve um comportamento íntegro, correto e de respeito, diga-se de passagem, que os adjetivos integridade e respeito deveriam ser acrescentados a muitos que se dizem ‘profissionais’  e andam portando-se pior do que amadores.

Nós estamos lidando com solidariedade e memória nessa história, mas ‘ela’  lida com a saudade e o coração… Vamos lembrar e respeitar isso ok?

Texto: Jowanna Heylayne