Todas as manhãs quando acordo e ligo a tv está lá, abro os jornais está lá, capas de revistas e internet e o caso está lá, Isabella. Não preciso nem dizer seu sobrenome para que saibam de quem eu estou falando. O fato é que a tragédia que tirou a vida de uma criança de cinco anos tornou-se o caso mais famoso e explorado de todos os tempos. Exposto aos olhos da mídia 24 horas por dia, tomou proporções grandiosas e por consequência tornou-se parte do cotidiano dos milhares de brasileiros que acompanham, comovem-se, se revoltam e esperam que a justiça seja feita . Outros, no entanto confundem sensações, refletindo uma asquerosa realidade deste século. Curiosidade e ‘exploração do caso’, muitos se mostram mais interessados com a repercursão do que com a resolução do caso, em ‘matar a curiosidade’, em aproveitar o batalhão de fotográfos , camêras que estão bem aí e porque não divulgar algo, vender ou se mostrar?A mídia nos relata cada fato, passo e ato de tudo e todos que estão envolvidos com o caso. Corriqueiras imagens das delegacias, do sobrado laranja, do vectra cinza, o apto de guarulhos e o tão ‘comentado’ edifício Londonnn…
Cada sorriso meigo de Isabella estampando efusivamente os noticiários, jornais, programas e afins. Todos os detalhes da vida dessa criança foram expostas. Eu participo da comoção que o caso nos trouxe, e compartilho da opinião de tantos outros que o caso é triste e assustador apesar de, saber que a cada dez horas uma criança é assassinada no Brasil o que é mais assustador e triste ainda . Este caso foi ‘monstruoso’ sim, e inevitável seria não sentir a da dor, pela perda dessa doce menina .
Mas, além dos ‘curiosos’ , grande parte da mídia concentra-se maciçamente em explorar o caso, ao ponto de programas ‘dedicarem’ horas simulando atos com bonecas, discutindo fatos de forma inconveniente e sensasionalizando uma tragédia delicada com o intuito de elevar os ‘picos da audiência’, sem se quer, lembrar que talvez do outro lado da tela possam estar familiares da criança, com a dor em ‘carne viva ainda’,e é com carinho que me vem a mente o nome da mãe, Ana Carolina Oliveira, que desde o acontecido e devido a constante exploração por notícias, fotos, e momentos exclusivos não pode se quer assistir uma missa para a paz, em Paz ! Doeu meu coração, quando vi aquele choro, devido ao extremo no qual o ‘jornalismo’ chegou, no último massacre que fizeram com ela, onde mesmo diante do momento em que a saudade sufocava, portou-se como sempre, com a mídia com delicadeza e extrema educação, pediu que a deixassem ir ao túmulo da filha em paz … Mas é claro que não atenderam com a mesma delicadeza e educação á solicitação, os ‘profissionais’ estavam todos lá, aglomerando, tumultuando a missa de um mês da criança, ‘registrando o momento’ e elevando mais uam vez a audiência dos programas’ transmitindo as lágrimas, e os soluços do choro de uma simples mãe que não pôde passar , se quer, cinco minutos á sós e em paz no túmulo da própria filha …
A conclusão disso tudo é simples: estamos todos doentes.
Todos que usamos a dor alheia como novela, todos que proporcionam audiência pra essa exploração ‘ao vivo’. Vale ressaltar, é claro que como toda regra há exceção, existem os profissionais de fato, que fazem seu trabalho da forma mais íntegra e cautelosa possível , usando a mídia como serviço de informação, e até como uma certa pressão para que o caso não seja esquecido e se torne impune.
Não sei porque estou escrevendo tudo isso, contradizendo todo o texto escrito até agora. Talvez, esteja me sentindo culpada e admitindo fazer parte, com vergonha , dessa população patológica. Mas, talvez, também pra exercer o dever que minha consciência me impõe dizendo que já chega não é? A polícia, os delegados, peritos e promotores vêm fazendo o seu trabalho com toda uma estrutura e salário para resolver isso. Eles tem o dever de acompanhar, minunciar e simular os fatos, além de solucionar, é claro. Não somos nós.
O que eu gostaria de ver nos próximos dias, talvez seja apenas uma ilusão, tendo em vista que toda essa exploração do caso está tendo um ‘retorno’ compensador pra quem a faz. Mas, me vem a mente mais uma vez, o nome de Ana Carolina Oliveira que vai ser a cada ‘capítulo sensasionalizado do caso’ lembrada que não poderá ter o retorno do que realmente gostaria, e ainda assim no meio de toda essa sujeira, mantêm-se de forma íntegra, num silêncio que grita por justiça, valorizando cautelosamente suas palavras. Não permite que seu eterno amor, Isabella, torne-se motivo apenas de tristeza ou dor.
Fica aqui registrado então, meu pedido á Deus que te abençõe Ana Carolina Oliveira, e que faça ‘hora extra’ com você, te dando forças nos momentos que a saudade apertar.
E fica aqui resgistrado também admiração por uma outra ‘menina bela’ , além da princesa Isabella, Ana Carolina Oliveira que diante dessa sujeira toda, manteve um comportamento íntegro, correto e de respeito, diga-se de passagem, que os adjetivos integridade e respeito deveriam ser acrescentados a muitos que se dizem ‘profissionais’ e andam portando-se pior do que amadores.
Nós estamos lidando com solidariedade e memória nessa história, mas ‘ela’ lida com a saudade e o coração… Vamos lembrar e respeitar isso ok?
Texto: Jowanna Heylayne